As cores alegres e vibrantes estampadas nos tecidos africanos contam muito da sobre a história dos afrodescendentes. Entre dores e lutas a moda afro-brasileira abre espaço para a alegria e o colorido que trazem a missão de promover um resgate histórico dessa cultura.

A moda reflete a identidade de um povo, consequentemente o que as pessoas usam contam um pouco sobre personalidade ou sobre uma história sem precisar verbalizar, o vestuário completa a imagem, é um meio de empoderamento e reafirmação. A essência da moda afro-brasileira é reafirmar, resistir e existir.

Durante muitos anos a cultura negra foi marginalizada no país e continua sendo. Não é diferente no meio da moda, que também sofreu um processo de exclusão não só das produções afros, bem como dos profissionais negros do setor, o que é impactante em um país onde 54% da população é negra, não restam dúvidas que o período escravocrata deixou duras heranças. Mas apesar disso, está havendo um aquecimento do setor de moda afro com os afroempreendedores e economia criativa.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Etnus sobre os hábitos de consumo de afrodescendentes de São Paulo, no ano de 2015, destacou que 65% das pessoas tem o hábito de investir sua renda em consumo de roupas, ocupando o segundo lugar no ranking, perdendo apenas para alimentação na rua, que está em primeiro lugar. A mesma pesquisa ressaltou que 42% das pessoas consumiram principalmente de marcas independentes de afroempreendedores.

Isso mostra o cuidado que o consumidor negro tem e deve ter, pois nem toda marca que produz peças com estampas étnicas realmente representa a sua cultura. Ao usar uma peça que simboliza uma luta histórica de resistência, é essencial saber se que aquele produto não é proveniente de uma marca que faz manutenção da escravidão moderna ou se fabricante não está apenas se apropriando da cultura para obtenção de lucro.

No contexto étnico afro-brasileiro não se pode esquecer que é preciso buscar alternativas para não se render a um sistema que lucra com uma cultura, mas a exclui economicamente. Por isso, a forma mais segura de adquirir roupas e acessórios de moda afro é comprando de quem faz, ou seja, de afroempreendedores. Além de ter certeza da origem do produto, ajuda a fortalecer o trabalho de pequenos empreendedores negros e garante que o resgate da cultura negra dentro da moda vai continuar acontecendo.

Negros, enquanto diáspora, encontram na moda afro como um meio de reafirmação da negritude. O Clube da Preta é um multiplicador da cultura negra, reunindo 80 fornecedores que são afroempreendedores do setor. Nesta lista está a Modernize Modas, trazendo peças atemporais com tecidos coloridos e texturas variadas. A Zakii, que entre suas principais características está uma variedade de produtos com e estampas exclusivas inspiradas nos tecidos de Moçambique, Angola entre outros países africanos.Todo o desenvolvimento e produção é manual, pois um dos objetivos da marca é de unir mãos pequenas, e transformar em grandes mãos.

A moda afro-brasileira se expressa por si, ela grita ser resistência negra. Resista com o Clube da Preta!