Por Lais Monteiro

A criatividade para gerar renda sempre esteve presente na vida do negro. Na comunidade, a necessidade financeira ultrapassa o simples sonho de trabalhar por conta própria, atingindo a costureira, o camelô, a psicóloga, o barbeiro, a manicure ou o engenheiro, que algumas vezes podem não nomear a atividade de fato, mas são empreendedores.

A periferia é uma maternidade de ideias empresariais, segundo dados do SEBRAE, entre 2002 e 2012, o número de negros à frente de empreendimentos cresceu 27%, atualmente, 51% dos empreendedores brasileiros são negros. Mas empreender no Brasil sendo negro não é uma tarefa simples, a difícil realidade e consequentemente as oportunidades são distintas de outros empreendedores, por isso, a importância e necessidade do afroempreendedorismo, que valoriza narrativas negras que empreendem e desenvolvem negócios apesar de não ter privilégios sociais que impulsionam os mesmos.

A partir do afroempreendedorismo pessoas que são prejudicadas pelos processos históricos do país, encontram uma maneira de se entender de fato como empreendedor e então desenvolver processos de fortalecimento cultural e financeiro para a comunidade negra.Nos últimos 13 anos o aumento na atividade foi de mais de 46%.

Produtos e serviços oferecido por grandes empresas, em sua maioria das vezes, não atendem as necessidades do consumidor negro, tendo em vista o poder de consumo da população dessa população, que atualmente movimenta 1,6 trilhão de reais por ano, conseguimos compreender importância dos afroempreendedores.

Segundo pesquisa publicada pela Instituto Etnus em 2016, sobre hábitos de consumo dos afrodescendentes da cidade de São Paulo, 42% dos entrevistados consumiram de marcas independentes de roupas de afroempreendedores no ano de 2015. Entre as diversas dificuldades encontradas pelo consumidor negro, está a de encontrar produtos e serviços que sejam pensados para eles e para atender suas necessidades. Na pesquisa da Etnus, os consumidores relatam que não encontram nas grandes empresas de roupas um bom caimento e as estampas e cores não agradam o imaginário dessas pessoas. Já os afroempreendedores contemplam esses desejos citados.

Com afroempreendedores os consumidores negros deixam de ser invisíveis. Um exemplo disso é um dos diferenciais mais importantes do Clube da Preta, que são os produtos produzidos e pensados por empreendedores negros, mais que apenas fazer do público objeto de estudo, os fornecedores do clube têm a vivência e entendem a realidade e os gostos do consumidor negro, porque produzem a partir de suas próprias experiências. Além disso, protagonismo negro é valorizado em todas as áreas, da produção,  das vendas, até as campanhas de marketing, formando uma rede de fortalecimento cultural e financeiro. É o verdadeiro significado da filosofia africana ubuntu, que significa “eu sou porque nós somos”.