Por Laís Monteiro

Como já dizia a canção de Rincon “Faço questão de botar no meu texto que pretas e pretos estão se amando”. Sim, é isso mesmo, os negros estão fazendo uma revolução no quesito beleza, estão cada vez mais exigentes e a indústria não está preparada para atender prontamente esses consumidores. Nas prateleiras de maquiagem, um infinito número de tons de base, mas nenhum atende a pele negra. Achar hidratante para pele oleosa que não deixe o rosto brilhando o dia todo ou encontrar a base e o pó compacto no tom ideal que não deixe o rosto acinzentado ou alaranjado, são algumas das muitas dificuldades que a mulher negra tem que enfrentar na área da estética.

A ligação com a beleza para mulheres negras é diferente das demais, lembranças que para mulheres não negras podem remeter a cuidado, para mulheres negras podem remeter a dor e traumas, como lembranças da infância enquanto a mãe penteava o cabelo ou o salão de beleza, local onde mulheres em geral amam, mas muitas mulheres negras tem repúdio por terem se submetido a tratamentos agressivos para se adaptar aos padrões, ou se não se submetem não encontram profissionais capacitados para atender suas necessidades sem indicar um alisamento. Essa relação deve ser levada em conta para entender o consumidor e seu desejo por um produto.

O ato de comprar um cosmético ideal pode ser simples, mas é uma conquista para a mulher negra. Apesar de estar havendo um movimento na indústria de cosméticos em prol do desenvolvimento de produtos para pessoas negras, ainda há um longo caminho pela frente, o primeiro passo é fazer com que a indústria entenda que pessoas negras não são nicho de mercado e sim consumidores.

O número de dermatologistas especializados em pele negra no Brasil ainda é muito tímido, a pele negra possui características e necessidades específicas, por isso a necessidade de um estudo direcionado. Encontrar com facilidade um salão que entenda das especificidades dos cabelos crespos e cacheados também é outro desafio. No ano passado, a expressão “cabelos cacheados” ultrapassou pela primeira vez a busca pelos lisos no Google, um crescimento de 232%, esse dado mostra o quanto há interesse no assunto. Já um estudo da companhia de pesquisas Kantar Worldpanel calcula que 51% das brasileiras tenham cabelos originalmente crespos ou cacheados.

O padrão de beleza criado no país não reflete a realidade da população, esse padrão combinado com o racismo ainda predominante e vivo, exclui negros de ligações com setores da beleza. A invisibilidade social da mulher negra fez com que durante anos assumissem uma identidade que não as pertencia, sendo obrigadas a se adaptarem aos produtos disponíveis que eram pesados para pessoas brancas. A indústria de beleza tem começado a voltar o olhar para o público negro, apesar de ainda não terem entendido a potência desse consumidor.

O movimento de empoderamento negro e a aceitação do cabelo natural com certeza trouxe um impacto para as empresas, que lucravam com a produção de produtos para alisamentos e que agora estão sendo obrigadas a se adaptarem. Mas ainda há um abismo enorme construído por anos de exclusão social, entre negros e as indústrias, principalmente no que diz respeito a estética.

Mas apesar de tudo, as pretas estão quebrando padrões e enfrentando as críticas. Autocuidado é um tema que tem sido discutido constantemente entre as mulheres negras, pensando nisso, o Clube da Preta criou com muito amor um kit com produtos especiais para a pele, cabelos ondulados, cacheados e crespos. Os produtos visam valorizar a beleza negra, proporcionando cosméticos como cremes, sabonetes, batons e tantos outros itens. Adquira já seu kit em nosso site e não se preocupe com o frete, ele é GRÁTIS!!